Novo disco de Bruno Monteiro e João Paulo Santos

O violinista Bruno Monteiro e o pianista João Paulo Santos regressam com um novo CD, desta vez dedicado às duas Sonatas e às Cinco Melodias para violino e piano de Sergei Prokofiev.
Três obras importantes do género, mas distintas.
A Primeira Sonata é caracterizada por uma atmosfera sombria e combativa, enquanto a Segunda irradia virtuosismo e o lado mais sarcástico do compositor.
As Cinco Melodias, originalmente escritas para canto e piano, são peças curtas que revelam o lado lírico e suave do violino.
A interpretação de Monteiro foi descrita pela Gramophone como “cheia de verve e ousadia, que tende a arrebatar os ouvintes”, enquanto as atuações de Santos foram apelidadas de “esplêndidas” pela Musicweb International.

Críticas na imprensa

Fanfare Magazine (EUA)

PROKOFIEV Sonatas for Violin and Piano: No. 1 in f, op. 80; No. 2 in D, op. 94a. and Five Melodies for Violin and Piano, op. 35bis — Bruno Monteiro (vn); João Paulo Santos (pn) — ETCETERA 1864 (67:44) Reviewed from a WAV download: 44.1 kHz/16-bit

            Sergei Prokofiev’s two sonatas for violin and piano are an odd couple. They have overlapping periods of composition—Prokofiev began writing Sonata No. 1 in 1938 but completed only in 1946, while Sonata No. 2 started its life as a Flute Sonata, op. 94, composed during the summer of 1943 and arranged for violin and piano a year later. Both sonatas were written in close collaboration with the composer’s friend David Oistrakh, and both share slow-fast-slow-fast four-movement structure. Despite those similarities, the two sonatas occupy completely different emotional universes. Prokofiev struggled with the First Sonata, composing it on and off for eight years, and the result is a dark and probing work with bleak sonorities and bone-chilling passages, described by the composer as “wind passing through a graveyard.” The first and third movements of the sonata were played at Prokofiev’s funeral by David Oistrakh and Samuil Feinberg. The Second Sonata, on the other hand, was composed quickly and effortlessly. It radiates sunny and upbeat disposition—sometimes lyrical, sometimes quirky, but never dark or desolate. It is astonishing that such a lighthearted and optimistic work could be written in the middle of the most devastating war in the history of humanity. The disc concludes with Five Melodies that were written in 1920 and published in 1922 as Five Melodies for Voice without Words and Piano. They were arranged for violin and piano five years later. The five pieces are charming character bagatelles that are entertaining but do not have the emotional depth of the sonatas. Because Sonata No. 2 and Five Melodies were not originally written for violin, their opus numbers may be a bit confusing. The original numbers were 94 for the Second Sonata and 35 for Five Melodies. Their violin versions appear in different guises—I’ve seen 94a, 94b, 94bis, and 35a, 35b, 35bis. The letters may be different, but the music is exactly the same. The Etcetera CD booklet uses 94a for the Second Sonata and 35bis for Five Melodies.

Both sonatas have become staples of the chamber music repertoire, and here we have the latest recording of them from the veteran Portuguese musicians Bruno Monteiro and João Paulo Santos. Monteiro was educated in the U.S., where he was a student of Isidore Cohen and Shmuel Ashkenasi, but has built his performing career primarily in Europe. Pianist and conductor João Paulo Santos has been Monteiro’s chamber music partner for over 20 years. Together, they have 29 entries in the Fanfare archives with uniformly positive reviews. This disc is no exception as their performances here are highly idiomatic and sensitive. After playing together for so long, the musicians are perfectly attuned to each other and to Prokofiev, faithfully following the composer’s ever-changing mood. The contrasts are clearly emphasized but not exaggerated, and the music flows naturally. Monteiro and Santos adopt broader tempos than usual—their total timings for the two sonatas are 29:12 and 25:51, which is markedly slower than Oistrakh/Yampolsky (28:07 and 23:32), Kremer/Argerich (28:17 and 22:53), Perlman/Ashkenazy (28:26 and 23:21), Ibragimova/Osborne (26:49 and 22:02), Repin/Berezovsky (27:08 and 23:00), or Ehnes/Armstrong (27:08 and 24:20). Despite the slower tempos, the performances never feel sluggish. The musicians pay exquisite attention to detail and at the same time deliver plenty of excitement in turbulent episodes. This is the most satisfying recording of the two sonatas that I have encountered recently. The Five Melodies are also very nicely done and serve as a perfect filler. As an added bonus, the booklet contains insightful liner notes written by Bruno Monteiro himself.

 As far as comparisons go, this album enters a very competitive field. David Oistrakh’s recordings are indispensable for anybody interested in these works due to the violinist’s deep personal connection to the composer. There are many recorded versions available with different partners—Sonata No. 1 with Sviatoslav Richter, Vladimir Yampolsky, and Lev Oborin, Sonata No. 2 with Vladimir Yampolsky and Frida Bauer, and Five Melodies with Frida Bauer. Combining Oistrakh’s recordings of all three works on a single CD would be a logical choice. To my astonishment, it has never been done. Even larger compilations usually include either First Sonata or Second, but not both. The only exception is a 10-CD set David Oistrakh: Chamber Music Edition on Brilliant Classics, which contains both sonatas and Five Melodies. It is currently out of print, but used copies are readily available on the secondary market. All Oistrakh recordings are uniquely authoritative, although they suffer from clearly inferior sound. Fortunately, there are many noteworthy recordings in modern sound, among them the aforementioned Kremer/Argerich on DG, Perlman/Ashkenazy on RCA, Ibragimova/Osborne on Hyperion, Repin/Berezovsky on Erato, and several others. Good as they are, none of them surpass the current offering from Monteiro and Santos. They offer a superb interpretation that is matched by the audio quality, and this album definitely belongs to the top tier of all available versions of Prokofiev’s violin sonatas. Strongly recommended. Anton Angelo

Amazon rating: 5 stars.
Top-tier performance of Prokofiev’s violin sonatas in excellent sound.

GBOpera (Itália)

“Estas três obras de Prokofiev , extremamente complexas tanto técnica quanto expressivamente, são excelentemente executadas por Bruno Monteiro. Como nas suas outras gravações, ele exibe uma técnica sólida que lhe permite resolver os aspectos mais desafiadores da escrita exigente de Prokofiev — como cordas duplas, posições incómodas e passagens rápidas — e uma interpretação particularmente calorosa e expressiva. Ao executar estas obras, Monteiro também demonstra uma notável maturidade interpretativa que lhe permite encontrar consistentemente um som belo e apropriado para a dinâmica exigida pelo compositor. Ele é excelentemente acompanhado ao piano por João Paulo Santos,  que não só nunca o sobrecarrega como também se integra perfeitamente à voz do violino, criando um discurso musical unificado.”

Opus Klassiek (Holanda)

“Ambos os músicos se destacam por um timbre claro, porém calorosamente expressivo, que captura estas obras com eficácia. A energia nervosa, percussiva e, muitas vezes, até trémula, tão característica do Op. 80, é magnificamente reproduzida, enquanto no anseio e ambíguo Andante, o fluxo de pensamentos flui livremente. No Op. 94, violinista e pianista demonstram ser uma dupla igualmente bem orientada e habilidosa, graças à sua interacção próxima e ao excelente senso de ritmo e proporção dinâmica. Esta é uma música que só ganha em brilho através de cores e ritmos vibrantes – e é precisamente isso que ouvimos aqui.

A interpretação igualmente excelente das Cinco Melodias completa a imagem positiva destes dois músicos portugueses neste repertório já consolidado. A gravação é um exemplo clássico de sonoridade e transparência, com as relações tonais entre violino e piano primorosamente equilibradas.

Quão fundo você pode aprofundar-se nesta música? Há dois antecessores famosos: Gidon Kremer e Martha Argerich (DG). Esta dupla também serve como uma verdadeira pedra de toque neste repertório.”

Classical Music Daily (Inglaterra)

“Este é um grande álbum, com um livreto conciso e informativo escrito pelo violinista. As interpretações em si são muito boas. Talvez não sejam as mais refinadas em termos sonoros, mas honestas, bastante cruas e emocionantes quando necessário, e penso que uma das interpretações mais verdadeiras que já ouvi, especialmente na primeira sonata, emocionalmente difícil. Certamente gostei de ouvir este disco.”

Pizzicato (Luxemburgo)

Monteiro e Santos tocam de forma muito sugestiva, seja na sombria primeira sonata, na mais clássica, lírica e frequentemente lúdica segunda sonata, seja nas melodias tão difíceis de cantar que o compositor as retrabalhou para o duo de violino e piano.

A gravação sublinha o carácter de parceria das interpretações de forma exemplar.”

Fanfare (EUA)

“Monteiro é um mestre do arco. Tem uma forma para modular o timbre, especialmente naquelas passagens sombrias e “de vento no cemitério”, o que esvazia o carácter tonal do seu violino de uma forma que o faz soar esquelético. Normalmente, não consideraria isso algo positivo se ele estivesse a tocar um dos concertos exuberantes e sumptuosos do período romântico, mas, para esta sonata de Prokofiev, atinge o timbre adequado, tecendo um clima hipnotizante que mantém o ouvinte absorto, como em transe.

Escusado será dizer que é também um mestre na técnica de mão esquerda, o que lhe permite navegar pelas passagens virtuosas e com cordas dobradas com facilidade. Em igual medida, o pianista João Paulo Santos contribui para o ambiente melancólico e para a tensão da peça.

Bruno Monteiro e João Paulo Santos participaram em vários álbuns já resenhados na Fanfare, cerca de meia dúzia dos quais foram meus. E embora a sua escolha de repertório nem sempre tenha sido do meu agrado, há muito que admiro a sua arte, bem como a sua programação aventureira em tudo o que escolhem tocar. O seu novo álbum de Prokofiev não é exceção. Com o número de gravações destas obras nos catálogos, não creio que este programa em particular se possa qualificar como aventureiro, mas a arte demonstrada por estes dois músicos excepcionais é incomparável.

Voltando à minha questão anterior sobre se estas obras são duradouras simplesmente devido à reputação e posição do compositor que as escreveu, ou se são também cativantes, penso que posso dizer que Monteiro e Santos permitiram-me ouvir esta música — certamente a Sonata n.º 1 — com novos ouvidos, e compreendê-la e apreciá-la de uma forma que não tinha conseguido antes, ao ouvi-la tocada por outros. Monteiro “fala” com o seu arco, revelando relações e ligações dentro da música que não me recordo de ter encontrado nela anteriormente, e a sincronização perfeita de Santos com Monteiro, não só em ritmo e tempo, mas também em expressão, modelação e sombreado de frases, e definição de clima e pintura, são emblemáticas de musicalidade.”

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Bruno Monteiro
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