Autores lusófonos em conversa e sessão de autógrafos

Mesa “Travessias do Atlântico” reúne autores que investigam deslocamentos intercontinentais

Migrar entre países com um idioma comum não garante uma travessia mais simples. Esta é a premissa da mesa de debate “Travessias do Atlântico”, que reúne três autores que investigam os fluxos migratórios que ligam Portugal ao Brasil e a países africanos de língua portuguesa. O encontro terá lugar no dia 14 de abril (terça-feira), às 19h00, na Livraria da Travessa Lisboa.

Irmãos de além-mar? Portugueses e a imigração no Brasil (Ed. UFRJ)
Em seu livro, o investigador Mario Luis Grangeia propõe uma leitura crítica das continuidades e ambiguidades que marcam a presença lusa no Brasil. Com base em fontes literárias e entrevistas com os icónicos “portugueses das padarias”, o autor questiona perspetivas consolidadas sobre esta imigração, evidenciando experiências que vão do reencontro familiar à resistência ao salazarismo. A obra recupera memórias de imigrantes definitivos, como Roberto Leal e Ruth Escobar, e provisórios, como Leonor Xavier e Miguel Torga.

Zuca (Ed. Urutau)
No seu romance, a escritora e psicanalista Fernanda Hamann centra a narrativa na trajetória de uma advogada brasileira que se muda para Lisboa após um episódio de violência e um processo por racismo no Brasil. Marcada por ambiguidades, a protagonista passa a experienciar a xenofobia e a exclusão no país de destino. Em registo próximo do diário, a obra evidencia como a pertença e a identidade se reconfiguram sob pressão. Longe de maniqueísmos, Hamann desafia os juízos do leitor e inscreve, nas entrelinhas, uma reflexão sobre intolerância, empatia e autoimagem.

Retornados e África (para sempre) minha – Quem viveu nunca esquecerá (Ed. Contraponto)
Marta Martins Silva revisita a experiência dos chamados “retornados” – portugueses que, após o colapso do império colonial e a Revolução de 25 de Abril de 1974, foram forçados a reconstruir as suas vidas em Portugal. A partir de uma perspetiva tanto histórica como íntima, a autora examina fraturas identitárias, silêncios e memórias em disputa. Os livros articulam testemunho e elaboração narrativa para iluminar os efeitos duradouros desta migração de retorno nas relações familiares, na pertença e na memória coletiva.

A mediação do evento estará a cargo da escritora e editora Paula Cajaty, que também transita entre o Brasil e Portugal, conduzindo o diálogo entre os convidados e com o público.

Sessão de conversa e autógrafos “Travessias do Atlântico”
14 de abril (terça-feira), às 19h00
Livraria da Travessa Lisboa (Rua da Escola Politécnica, 46, 1250-102, Lisboa)

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Alexandra Prista
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